Pensando devagar em diplomacia

Por Tiago Ribeiro do Santos

Em livro que já se tornou clássico, “Pensando Rápido e Devagar”, o psicólogo Daniel Kahneman nos ensina sobre duas formas de pensar, que chama de Sistema 1 – rápida, intuitiva e emocional – e Sistema 2 – lenta, mais deliberada e mais lógica. Ao contrário do que uma visão superficial da tese de Kahneman poderia fazer sugerir, não se defende que um dos dois sistemas seja superior ao outro. Com efeito, todas pessoas precisam diversas vezes tomar decisões rápidas, e dependência exclusiva no Sistema 2 significaria paralisia decisória. Com essa constatação, a tese de Kahneman parece tornar-se apenas puro senso comum. Confie um pouco em sua intuição e um pouco em sua razão. Mas Kahneman vai além: propõe precisamente quais são os campos em que se deve se valer mais da intuição, e em quais campos se deve valer mais da razão.

Essa tese está delineada no artigo “Conditions for intuitive expertise: a failure to disagree”, escrito em co-autoria com o também psicólogo Gary Klein. Kahneman especializou-se em demonstrar como o pensamento automático pode prejudicar as decisões, e Klein especializou-se em demonstrar como o pensamento automático pode contribuir com boas decisões. Acreditando-se em desacordo, os autores resolveram escrever o artigo para esclarecer em que suas visões diferiam, mas concluíram que não havia divergência, apenas ênfases distintas. A conclusão geral é de que a intuição de fato é capaz de gerar boas decisões, com duas condições: um ambiente de “high validity”, ou seja, em que se tem capacidade de determinar o erro ou acerto das decisões anteriores, e oportunidades adequadas para prática.

Um exemplo simples ilustra quando o conhecimento intuitivo floresce: acertar cestas em lances livres de basquetebol. É provável que haja alguns conhecimentos teóricos sobre posicionamento dos pés e das mãos que contribuam para aumentar as chances de acertar o cesto. No entanto, é certo que o principal componente que contribui para que uma pessoa melhore sua capacidade de fazer cestas é a prática. Isso porque as condições para o conhecimento intuitivo estão presentes. Quando lança a bola ao cesto, o atleta sabe de maneira inequívoca sobre seu acerto ou erro, e tem essa informação imediatamente. Pode corrigir o que quer que seja em seu lançamento – e, importantemente, sem precisar deliberar sobre o assunto – no próximo arremesso.

Do outro lado, como exemplo extremo de situação em que o raciocínio deve dominar, tem-se o primeiro pouso na lua. Justamente por ser o primeiro, não poderia haver qualquer experiência prévia em que se apoiar. Ao mesmo tempo, as vidas e os equipamentos envolvidos eram valiosos demais para que se buscasse aperfeiçoamento por tentativa e erro. Por esses motivos a NASA empregou centenas de engenheiros que se utilizaram dos mais avançados conhecimentos de ciência e matemática para realizar missão exitosa.

Se as áreas mencionadas são consensuais, há inúmeras outras áreas em que existe ampla divergência sobre a abordagem adequada. Durante muitos anos, o ensino de línguas foi baseado em aprendizado das regras gramaticais, com a prática da língua sendo introduzida aos poucos. Essa abordagem tem caído em desuso em favor de ensino baseado quase exclusivamente na prática. O motivo por que a segunda abordagem funciona melhor é o esclarecido acima: há plenas condições de se saber quando se errou em língua, e a correção vem imediatamente. Com isso, o aprendizado se dá intuitivamente. Com efeito, essa é a forma pela qual a absoluta maioria da população aprende línguas. Uma criança de cinco anos não tem qualquer ideia sobre a teoria formal de conjugação verbal ou colocação pronominal, no entanto aplica as regras com grande habilidade[1].

No aperfeiçoamento do conhecimento de línguas houve um redirecionamento da ênfase na teoria para a prática. O contrário, porém, deve dar-se em outras áreas. Estudos rigorosos apontam que psicólogos clínicos, corretores de ações, psiquiatras, profissionais de seleção de alunos para universidades, juízes e analistas de inteligência não aprendem com a experiência[2]. Tendo em vista a teoria acima exposta, fica claro o motivo: as condições de aprendizado não estão presentes. Tome-se o exemplo do psicólogo clínico. Esse profissional depara-se com um caso de depressão. Seu paciente descreve os sintomas, e o profissional oferece sua ajuda, por meio de conversa. Qualquer resultado é bastante provável: que o paciente melhore, que não melhore. É perfeitamente possível que o resultado, negativo ou positivo, da intervenção, só venha a se manifestar meses ou anos depois. É possível, igualmente, que, do ponto de vista estatístico, a intervenção fosse correta, mas tenha gerado para aquele paciente resultados opostos aos desejados. Vê-se que não há condição de aprendizado.

Os diplomatas

Após esta longa introdução, seria o caso de perguntar-se: qual a natureza do trabalho diplomático? Seria de aprendizado por experiência ou de aprendizado por teorização? Como notam Kahneman e Klein, a maioria das atividades envolve tarefas para as quais existem condições de aprendizado por experiência e tarefas para as quais essas condições não estão presentes. O mesmo dá-se com a diplomacia.

À primeira vista, pareceria polemicismo gratuito procurar minimizar o papel que a experiência tem na diplomacia. O fazer diplomático é altamente ritualizado, e o ambiente profundamente competitivo garante que se busque aprender esses rituais. Diplomatas experientes sabem portar-se melhor nas mesas de negociação, sabendo qual tipo de postura inspira respeito e confiança. Sabem como abordar colegas em busca de informação valiosa sem parecer intrusivo. Sabem as situações em que se cumprem ou emitem ordens. Para quem tem alguma familiaridade com o mundo diplomático, a forma confiante como se portam embaixadores em contraste com a forma tímida dos secretários falaria por si só sobre o valor da experiência.

Essas qualidades são valiosas, mas do ponto de vista da tomada das decisões, não seriam as principais. Em primeiro lugar, a auto-confiança é importantíssima para ajudar a fazer prevalecer sua posição, mas, de maneira geral não tem relação com competência, como ilustrado no estudo de Kahneman e Klein. Com efeito, ela tende a piorar a qualidade das decisões[3]. Em segundo lugar, as habilidades adquiridas por diplomatas por meio da experiência têm pouca relação com os resultados obtidos. Espera-se de diplomatas que contribuam para a formulação das posições a serem defendidas, além de negociar em favor delas. Mas como poderiam os diplomatas, por sua experiência apenas, aprender sobre os resultados das políticas que defendem?

Tipicamente, os resultados das negociações internacionais levam anos para ocorrer. Some-se a isso a dificuldade em identificar o que pode ser atribuído à negociação daquilo que dela independe e as condições de aprendizado por experiência ficam absolutamente ausentes.

Talvez um exemplo ajude a esclarecer: negociações sobre intervenções humanitárias. É assunto em que em geral a opinião do país é formulada no âmbito dos Ministérios de Negócios Estrangeiros ou, dependendo do país e da autonomia desse Ministério, é assunto em que os Ministérios de Negócios Estrangeiros são os responsáveis pela racionalização das escolhas feitas pelos líderes. De uma forma ou de outra, cabe tipicamente a diplomatas justificar a posição do país com relação a esse tipo de política.

Simplificando muito, o pensamento sobre intervenções humanitárias tem se dividido em dois campos principais: aqueles quem, de maneira geral, acreditam que a população local se beneficia das intervenções, e os que, de maneira geral, acreditam que as intervenções acabam causando mais mal do que bem à população local. Durante os debates, os países não evocam seus interesses nacionais, nem os interesses específicos dos líderes dos países que potencialmente sofrerão intervenção, ainda que o público em geral possa desconfiar de que essas questões são de fato levadas em conta e que podem inclusive ser determinantes. Independente dos interesses que os líderes de seus países desejem defender, o mandato de um diplomata que serve a uma democracia respeitadora dos direitos humanos só admite a consideração dos interesses da população local.

O diplomata terá de definir, portanto, quem está com a razão: se os proponentes da intervenção humanitária ou se os que dela desconfiam. Frequentemente, os diplomatas que tratam desse tipo de assunto se especializam nessas discussões. Participam de várias reuniões, aprendem exatamente que tipo de linguagem é mais aceitável para cada país e buscam, à exaustão, influenciar minúcias do texto para que reflita um pouco mais a posição que seu país defende.

Em algum momento que não está predefinido, fica determinada a abordagem para o caso em questão: se intervenção ou não e, se sim, em que grau. Os resultados da ação demorarão a acontecer. Além disso, a intervenção em si não é a única variável que importa para o futuro daquela sociedade, inúmeros outros fatores contam, como o comportamento de um líder de governo ou de uma facção, a economia mundial e diversos outros aspectos que além de fora do controle dos agentes internacionais são também desconhecidos.

Como poderia o diplomata que participou da negociação aprender por experiência, dado esse ambiente de incerteza? Qual vantagem teria sobre qualquer outra pessoa interessada no assunto? Se as negociações em si podem não ser públicas, os resultados das negociações o são. Qualquer estudioso pode analisar quais intervenções houve e o que aconteceu depois delas. O negociador não é melhor candidato aprender.

Uma indicação de que pouco se aprende sobre a qualidade das políticas em si por meio da experiência é a notória “coerência” – entendida no sentido de manter sempre a mesma opinião, não no sentido de ser persuadido por argumentos lógicos – que os envolvidos costumam apresentar nos debates. Aqui me apoio em evidência anedótica, mas creio haver consenso sobre a pouca chance que se tem de mudar a opinião de um negociador. Quando países de fato mudam posição sobre um tema, isso raramente se dá porque o negociador mudou sua opinião, mas porque o país mudou a pessoa à frente das negociações.

Que alternativa?

A constatação de que a experiência é insuficiente para nos apontar o caminho sobre as melhores direções no campo diplomático pode gerar pessimismo, pois qual seria a alternativa? Parece haver pessoas mais ou menos otimistas quanto à capacidade da experiência do diplomata guiá-lo em suas recomendações de políticas, mas o ceticismo quanto à capacidade da ciência em fazê-lo chega perto da unanimidade. Se em outros campos onde não se aprende com a experiência, como a psiquiatria, ao menos se pode contar com testes randomizados com número grande de pacientes para determinar a eficácia dos tratamentos, que opção teria o diplomata? Melhor não seria confiar nos métodos de sempre?

Há dois problemas com esse raciocínio, que serão tratados sucessivamente. Em primeiro lugar, os métodos científicos permitem responder muito mais sobre diplomacia do que se costuma supor. Suponha que membros da comunidade internacional tenham como objetivo ajudar a população de um país pobre. Há várias abordagens possíveis. Uma proposta poderia ser um projeto de alfabetização financeira da população. Outra proposta poderia ser a transferência incondicional de dinheiro para a população. Ocorre que propostas dessa natureza foram estudadas usando métodos rigorosos de maneira extensa, e os resultados não poderiam ser mais distintos. Enquanto os benefícios da educação financeira estão ausentes[4], os benefícios das transferências de renda são bem documentados[5]. Há igualmente estudos rigorosos sobre migrações[6], comércio internacional[7], a eficácia das operações de paz[8], os impactos econômicos de sediar eventos internacionais[9] e diversas outras matérias. Nesse sentido, há muito mais reticência em utilizar o conhecimento já disponível a serviço da elaboração da política externa do que falta de estudos.

Em segundo lugar, no caso de real ausência de estudos, a solução não pode ser voltar a confiar na intuição. Se a propensão para o acerto fosse maior do que a propensão para o erro, ou ainda se a propensão fosse igual, não haveria tantos problemas. Na primeira hipótese, se estaria em situação ligeiramente melhor. Na segunda hipótese, as decisões teriam a mesma qualidade. O único senão da abordagem seria mascarar a necessidade de se conduzir os estudos – às vezes com altos custos – que de fato respondam às questões. Mas a realidade é mais trágica, pois existe maior propensão a errar do que acertar quando se confia na intuição. Os vieses de raciocínio que Kahneman documenta têm direção. Com isso, a confiança no raciocínio lento e teórico, com a adaptação de evidências tiradas de outros contextos, é superior ao mero pensamento intuitivo.

Conclusão

É certo que diplomatas não contam apenas com a experiência para ajudar a formar suas decisões. Há diversas academias diplomáticas em todo o mundo. Ocorre que o conhecimento que se aprende nessas academias tem relação direta com o aprendizado por experiência. É um conhecimento profundamente dependente de história – como líderes e diplomatas tomaram decisões no passado – e direito – que tipo de regras líderes e diplomatas decidiram tornar obrigatórias. Mesmo a disciplina de teoria das relações internacionais sofre de excessiva reverência a interpretações históricas. Muitas vezes, parece mais dedicada a racionalizar ideias preconcebidas sobre relações internacionais do que realmente desenvolver disciplina verdadeiramente científica. Estudiosos da teoria dos jogos, por exemplo, demonstraram que diversas das proposições da corrente realista simplesmente não derivam logicamente das premissas que os próprios realistas estabelecem.

Com isso, as academias deveriam buscar desenvolver nos diplomatas a capacidade de avaliar rigorosamente – ou seja, em seus fundamentos lógico-matemáticos – as bases teóricas de diferentes propostas, assim como ter o conhecimento estatístico suficiente para avaliar as evidências empíricas de distintas alternativas. A experiência é dos mais valiosos ativos que o diplomata pode ter. Infelizmente, só o tempo e a prática podem aumentá-la. A capacidade de análise rigorosa de argumentos, porém, pode ser transformada. Considerando o quanto os instrumentos científicos avançaram ao mesmo tempo que a complexidade dos temas cresceu, aumentar essa capacidade é tarefa urgente.

Texto reproduzido a partir de NOVOS OLHARES SOBRE A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA. Autor: Gustavo Westmann (Org.)

[1] Se o leitor achar essa afirmação questionável diante dos erros comuns que crianças de cinco anos ainda fazem como dizer “eu ‘ouvo’ muito bem”, cabe lembrar o quanto da língua e de suas regras foi adquirido sem explicação formal. Com efeito, um erro como “eu ‘ouvo’ muito bem” se dá justamente por conta da aplicação de regras de conjugação verbal que a criança aprendeu sem que ninguém lhe explicasse.

[2] Competence in Experts: The Role of Task Characteristics – James Shanteau 1992

[3] The detrimental effects of power on confidence, advice taking, and accuracy Kelly E. See

, Elizabeth Wolfe Morrison , Naomi B. Rothman , Jack B. Soll

[4] Evidence and Ideology in Assessing the Effectiveness of Financial Literacy Education – Lauren E. Willis

[5] Cash Transfers Literature Review Policy Division 2011 – DFID

[6] Economics and Emigration: Trillion-Dollar Bills on the Sidewalk? – Michael Clemens

[7] Trade and Income– Exploiting Time Series in Geography – James Feyrer

[8] Pitfalls and Prospects in the Peacekeeping Literature

[9] Circus Maximus – Andrew Zimbalist

Vale a pena criar feriados?

Por André Soares

Todos brasileiros que moram no exterior, em algum momento do ano, já tiveram a sensação de que estão perdendo um belo de um feriado no Brasil. Não é à toa que isso acontece, com 16 dias por ano, o brasileiro tem 70% a mais de feriados que a média mundial (9 dias por ano). Apesar de ser um tema que aparece de maneira constante na mídia, não é claro se é bom ou ruim para a economia de um país ter muitos feriados. Certamente, há razões de cunho cultural, social e político que justificam a existência e criação de novos feriados. Mas qual são os impactos econômicos destas decisões?[1]

Os feriados costumam ser associados a aumento do consumo pelas famílias e consequente incremento no PIB dos países. Entretanto, sob o ponto de vista de política pública, valeria a pena criar mais um feriado no ano?

Em países onde há muitos feriados, como por exemplo as Filipinas (18 feriados por ano), esta discussão de política pública não passa despercebida. Não são poucos os policy markers que vem a público dizer que se deve haver uma abordagem equilibrada para a elaboração de leis sobre feriados, indicando que os legisladores devem levar em consideração os efeitos de feriados na produtividade geral e na competitividade da economia, particularmente na mão-de-obra e emprego.

Esta preocupação existe, pois não são todos os feriados que tem a capacidade de impulsionar a economia como, por exemplo, o Thanksgiving, Natal e Ano Novo nos EUA, onde a Holiday Season injetará, em 2018, US$ 720 bilhões na economia. Dados do National Retail Federation dos EUA indicam que a Holiday Season responde por 87% dos gastos no ano com feriados, que, em 2018, totalizarão US$ 833 bilhões. Na Páscoa, por exemplo, os americanos consomem apenas US$ 18 bilhões, enquanto o dia de Independência não chega a US$ 7 bilhões.

O custo de oportunidade de se ter um feriado poderia ser calculado levando em consideração o quanto aquela economia geraria de PIB, caso não houvesse o feriado. Uma maneira rápida e grosseira de calcular esse número seria dividir o PIB do país pelo número de dias de trabalho do ano. O gráfico abaixo, mostra, por exemplo, que um feriado valeria a pena nos EUA, caso ele fosse capaz de mobilizar um impacto na economia da ordem de US$ 51 bilhões. Já no Brasil, este valor seria em torno de US$ 5 bilhões.

A partir do cálculo apresentado acima, talvez chegaríamos a conclusão de não valeria tanto a pena criar feriados no ano. Outra maneira um pouco mais sofisticada de olhar para essa questão, seria ver se há algum tipo de relação entre o número de feriados no ano e o PIB de um país. Um painel com 136 países mostra que não é simples chegar a uma conclusão com pouco esforço econométrico. Apesar da linha de tendência ser levemente inclinada no sentido de indicar que mais dias de feriados implicariam em menor PIB, a distribuição bastante esparsa da amostra sugere que isso não deve ser estatisticamente relevante.

Feriado_3

O único trabalho empírico encontrado por este autor, que aceita do leitor sugestões de outros papers, que faz uma análise econométrica mais robusta sobre o tema também chega a conclusões similares das apresentadas acima. Similar no sentido que Amavilah (2009) não encontra resultado estatisticamente relevante para sua amostra de países. Entretanto, apesar de não haver causalidade, ele indica coeficiente positivo. Seu resultado mostra que a criação de mais um feriado teria um impacto de 0,3% no crescimento do PIB em um ano.[2]

Enfim, a única conclusão que se chega é que os impactos em geral na economia ainda precisam ser melhor estudados. Se for para criar feriados, que se crie um que tenha uma razão bem justificada de cunho cultural, social ou político, porque o que os dados indicam é que nem todo feriado terá um fundamento econômico.

[1] Dados baseados em: https://www.timeanddate.com/holidays/

[2] Holidays and the economic growth of nations

(https://mpra.ub.uni-muenchen.de/17326/1/MPRA_paper_17326.pdf )